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Câncer pode ser diagnosticado pelo olhar em crianças

A demora no diagnóstico de um câncer pode trazer uma série de riscos para o paciente de uma neoplasia. Mas quando se trata de crianças vítimas de retinoblastoma, o tumor ocular mais frequente em pacientes de até cinco anos, essa demora pode significar a retirada do globo ocular.

Por essa razão, especialistas têm investido em formas mais rápidas e eficientes de diagnóstico – como uma simples fotografia do olho, para otimizar o tempo entre detecção da doença e tratamento.

O retinoblastoma é um tumor intraocular originado nas células foto-receptoras da retina. “A retina é um tecido neural e este tipo de estrutura tem predisposição a tumores em idade precoce. A criança pode já nascer com o tumor ou aparecer no primeiro ano de vida, nos casos hereditários que são bilaterais. Nos casos unilaterais, não hereditários, a lesão se manifesta entre 2 e 5 anos”, afirma Mário Motta, membro do conselho consultivo da Sociedade Brasileira de Oftalmologia e chefe do setor de retina do Serviço de Oftalmologia do Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro.

Diagnóstico do retinoblastoma

Por se tratar de uma doença que afeta crianças logo nos seus primeiros anos de vida, é importante que os pais fiquem atentos para quaisquer sinais da enfermidade. Um dos principais sintomas da doença é um reflexo esbranquiçado na área da pupila quando submetida à luz artificial, a leucocoria, assemelhado ao brilho branco do olho de um gato. Esse sintoma é normalmente percebido por familiares.

Outro aspecto da doença que é percebido em casa mesmo são fotografias tiradas com flash e que não refletem a cor vermelha em um dos olhos. “A fotografia de criança mostrando um reflexo esbranquiçado na pupila pode levar à suspeita de retinoblastoma, mas outras doenças como catarata congênita também causam alterações semelhantes nas fotos. É importante observar que sempre que houver algo estranho em relação aos olhos nas fotos, a criança deve ser encaminhada logo para exame oftalmológico”, afirma Motta

De acordo com o especialista, o melhor método de se diagnosticar é com uma avaliação oftalmológica pediátrica que envolve um exame de fundo de olho especial, confirmado por exames de ultrassom e tomografia computadorizada.

Tratamento

Caso o diagnóstico seja feito a tempo, pode se evitar a enucleação, que é a retirada do globo ocular e a medida mais extrema de tratamento para o retinoblastoma. Por isso, a importância da observação atenta dos pais no desenvolvimento da criança, além da visita frequente ao pediatra.

Café e câncer de mama: uma ligação peculiar

Quem gosta de café tem agora um motivo a mais para justificar sua paixão. Um novo estudo divulgado em maio de 2011 na revista especializada Breast Cancer Research afirma que mulheres que bebem café têm menores possibilidades de desenvolver câncer de mama do tipo agressivo, aquele câncer com receptores de estrogênios negativos e que não respondem a certos fármacos.

O estudo foi levado a cabo pelo Instituto Karolinska de Estocolmo, na Suécia, observou 6 mil mulheres que entraram na menopausa. Levou em consideração a quantidade de café ingerida: as que bebiam cinco ou mais xícaras de café ao dia mostraram um risco 57% menor de desenvolver esse tipo de câncer que as que bebiam menos de uma xícara. Porém, não foi divulgada qual a propriedade do café que estava causando tal benefício.

Alimentos do bem

A interação do café com o corpo humano vem sendo analisada há muitos anos. São inúmeras pesquisas que levantam seus benefícios para prevenir doenças, mas também apontam potenciais riscos para a saúde, pela alta dose de cafeína que a bebida contém. Segundo o nutricionista da área de alimentação e câncer do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Fábio Gomes, um dos maiores problemas é a dependência que a cafeína causa. “O Comitê Olímpico Internacional já considera a cafeína, acima de certas doses, uma droga para alguns atletas. Apesar de estimular, ela compromete a coordenação motora fina”, alerta.

Ainda de acordo com o especialista, existem outros alimentos com os mesmos compostos benéficos do café, mas sem as consequências que ele causa, como o própolis e outras frutas e verduras. “Excepcionalmente, não foi possível inferir da pesquisa do instituto de Estocolmo qual a substância do café que ajuda a prevenir o câncer de mama, para que se possa fazer uma análise e dizer que em tal alimento também é possível encontrar essa substância, ou qual modo de beber o café ajuda a prevenir o câncer”, ressalta o nutricionista.

Nutrição e saúde

Na visão dos especialistas em nutrição e profissionais da saúde, o mais importante para manter um corpo saudável e livre de doenças é ter hábitos de vida saudáveis. E isso inclui uma alimentação diversificada. Fábio Gomes ressalta que não existem alimentos milagrosos. “É importante evitar valorizar um alimento como superalimento, como aquele que vai salvar a pátria”, alerta.

Isso cabe também para as frutas e verduras. De nada adianta uma dieta rica em vegetais se eles não são variados: “se você consume só um alimento, o efeito dele no organismo é menor. Tem que consumir em conjunto com outros para fazer uma combinação benéfica e potencializar a sua ação”, complementa o nutricionista.

Déficit de atenção em adultos

Dificuldade de se concentrar e hiperatividade são características frequentes em muitas pessoas, mas quando interferem significativamente em suas vidas e no seu desenvolvimento social, podem ser sinal do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ou simplesmente déficit de atenção.

A enfermidade, de origem neurobiológica, tem sua prevalência em crianças e adolescentes. As principais características da doença são:

– agitação,

– impulsividade,

– distração,

– dificuldade em se organizar e se concentrar e

– procrastinação.

O psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antonio Geraldo da Silva, atenta para o fato da precisão do diagnóstico do déficit de atenção: “Trata-se de uma doença psiquiátrica que precisa de uma abordagem médica para um correto diagnóstico, já que alguns sintomas podem ser comuns a outras doenças. O fato de ser agitado, falante, pode estar relacionado à ansiedade ou ao transtorno bipolar, por isso é importante fazer uma completa análise clínica para chegar à conclusão de TDAH”.

TDAH em adultos

Segundo o psiquiatra, o déficit de atenção não aparece, simplesmente, na fase adulta, mas sim acompanha o indivíduo desde a infância. Os adultos que manifestam a doença já possuíam traços dela quando crianças.

O diagnóstico de TDAH é feito por uma análise clínica e comportamental do indivíduo. “Uma pessoa com TDAH vive em desordem, tem seu quarto bagunçado, sua mesa de trabalho desorganizada, com pilhas de papéis, começa projetos e não consegue terminá-los, não consegue chegar aos compromissos a tempo, não consegue esperar o sinal abrir, a fila andar, não fixa a atenção numa palestra e vê isso tudo prejudicando seu convívio de trabalho e social”, afirma o psiquiatra.

Tratamento

O tratamento mais indicado para a doença é uma combinação de acompanhamento especializado e medicamentos específicos. A gama de medicamentos utilizada no tratamento é variada, sendo os mais conhecidos os psicoestimulantes, que possuem uma ação inibitória em algumas áreas do sistema nervoso central, aumentando o controle da ação.

Queda de cabelo: quando pode ser doença

Todos os dias, perdemos naturalmente até 100 fios de cabelo no travesseiro, no banho, na escova, por exemplo. Mas a queda de cabelo acima do normal e o medo de ficar calvo é algo que assusta homens e mulheres porque influencia diretamente na imagem corporal e na autoestima.

A calvície, ou alopecia, é uma enfermidade que tende a afetar mais os homens que as mulheres ao longo de suas vidas. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, cerca de 80% dos homens enfrentarão o problema antes dos 70 anos. Já entre as mulheres, apenas 30% terão que lidar com algum tipo de alopecia antes dos 50 anos de idade.

Por que os cabelos caem?

Todo fio de cabelo tem um ciclo de vida de crescimento que culmina com sua queda. As fases são chamadas de:

  • Anágena: fase de crescimento do fio do cabelo.
  • Catágena: fase de repouso.
  • Telógena: fase de queda.

Cada fase tem uma duração independente assim como cada fio está numa fase independente de crescimento – imagine se todos os fios estivessem na mesma fase cairiam todos da mesma vez, ficando o indivíduo calvo.

Cerca de 80% dos cabelos está na fase de crescimento, ou seja, anágena, vinte na fase telógena e alguns poucos da fase catágena.

Causas

Ainda que afete mais homens que mulheres, algumas das causas da alopecia, ou queda de cabelo, são comuns a ambos, como a genética, fatores hormonais, stress, dieta alimentar – em especial uma restrição severa na alimentação, medicamentos ou a interrupção brusca em algum tratamento, doenças metabólicas, venéreas ou inflamatórias e neoplasias.

Tratamento

Antes de se iniciar qualquer tratamento, deve ser feito um diagnóstico preciso sobre a causa da alopecia, investigando o histórico do paciente em relação a uso de medicamentos, doenças, infecções, dietas, anemias e outras hipóteses.

Existem vários tratamentos disponíveis no mercado, desde xampus específicos para a doença até tratamento a laser. Cabe ao especialista indicar o mais adequado a cada caso.

Obesidade aumenta riscos de diabetes tipo 2

Uma pesquisa do Ministério da Saúde divulgada em abril de 2011 mostrou que quase metade da população brasileira está acima do peso – mais precisamente 48,1% estão acima do peso e 15% são obesos. A pesquisa anterior, de cinco anos atrás, mostrava que os índices de sobrepeso no Brasil eram de 42,7% e 11,4% para obesidade. Ou seja, um aumento considerável, em especial para os riscos à saúde.

Embora as causas para o aumento no índice de pessoas acima do peso sejam, em sua grande maioria, o sedentarismo e má alimentação, o que mais preocupa os especialistas são os fatores de risco que esse perfil traz para a saúde, especialmente para o aparecimento de diabetes tipo 2.

De acordo com um estudo americano publicado em 2002 durante uma conferência da American Diabetes Association, a cada 1 kg de ganho de peso corporal, aumenta em 9% o risco de desenvolvimento de diabetes. Em contrapartida, para os portadores de diabetes tipo 2, uma diminuição de 11% do peso corporal está associada a uma redução de 28% do risco de morte causada pela doença.

“A pessoa com obesidade tem maior chance de ter diabetes tipo 2 do que a pessoa com peso normal. A obesidade, sobretudo com acúmulo na região abdominal facilita a instalação do diabetes tipo 2 porque favorece a resistência à insulina”, afirma Marlene Merino Alvarez, nutricionista e membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Convivendo com diabetes

Diabetes é uma doença causada pela dificuldade do corpo em gerar insulina, hormônio produzido pelo pâncreas. A função da insulina é quebrar as moléculas de glicose vindas da digestão para que elas possam ser absorvidas pelo organismo. Sem a insulina, as moléculas ficam muito grandes e acabam não sendo absorvidas pelas células, ocasionando concentração de glicose no sangue.

Existem dois tipos de diabetes, 1 e 2. Enquanto o tipo 1 manifesta-se geralmente na infância e não pode ser evitado, o tipo 2 está intimamente ligado à obesidade e tende a surgir por volta dos 40 anos. Em ambos os tipos de diabetes, o paciente precisa, com o decorrer do tempo, tomar doses diárias de insulina para equilibrar a taxa de glicose no sangue, já que o corpo não mais produz a insulina.

Mas os cuidados com a alimentação não podem ser deixados de lado. A nutricionista Marlene Merino ressalta a importância de hábitos saudáveis no decorrer da vida: “A manutenção de uma alimentação saudável e exercícios físicos regulares são procedimentos que devem ser mantidos ao longo de todo o tratamento”.

Tratamento

Outros aliados no tratamento da diabetes tipo 2 são os medicamentos. “No início do tratamento do diabetes tipo 2 em geral não se inicia com insulina – injeção do hormônio – porque o indivíduo ainda produz esse hormônio. Os medicamentos usados são comprimidos que atuam na diminuição da resistência à insulina e na estimulação da produção de insulina do próprio corpo”, afirma a nutricionista. “Mesmo depois da insulina é necessário fazer dieta e exercício físico”, ressalta.

O que são espasmos musculares

Engana-se quem pensa que o coração é o único músculo que se contrai involuntariamente. Os chamados espasmos musculares são contrações involuntárias dos músculos, acompanhadas por dor localizada e restrição dos movimentos, que podem acontecer em várias partes do corpo, tanto em pessoas mais sedentárias quanto em atletas. De acordo com especialistas, as causas dos espasmos musculares podem estar relacionadas à tensão emocional, noites mal dormidas ou mesmo quando houve uma sobrecarga muscular na região.

Dependendo da causa, o tipo de espasmo gerado é diferente. Em geral, as contrações que não causam dor são geradas por estresse e tensão emocional. É o famoso caso do tremor da pálpebra. Já grandes e excessivos esforços musculares podem gerar outro tipo de espasmo, mais dolorido.

“Carregar bolsas muito pesadas, por exemplo, pode provocar uma contratura permanente do músculo dos ombros, devido à sobrecarga. Ou até quem abusa na hora de fazer exercícios físicos pode sentir contrações musculares”, explica o neurocirurgião da Associação Médica de Brasília, Luíz Cláudio Modesto Pereira.

Para o neurocirurgião, a grande preocupação são as sequelas dessas contrações: “O fator preocupante é que o espasmo pode gerar uma síndrome crônica, ocasionando a contração permanente do músculo”.

Prevenindo espasmos

A melhor forma de prevenir espasmos e até as mais graves sequelas é a atividade física sem exageros. De acordo com o especialista, os músculos precisam de uma oxigenação para que os espasmos não apareçam.

Alongamento também e uma ótima indicação para prevenir os espasmos. Ao primeiro sinal de uma contração, procure parar a atividade que está fazendo e alongar o músculo. Alongar o corpo antes de dormir também é recomendável para um completo relaxamento e uma boa noite de sono.

Convivendo com a alergia

Espirros, nariz vermelho, coriza, pruridos, restrições alimentares. A vida de um alérgico não é nada fácil. “O indivíduo dorme mal, espirra, tosse e tudo isso acaba afetando a sua qualidade de vida, inclusive com casos de depressão relacionados à alergia”, relata João Negreiros Tebyriçá, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI Nacional). Portanto, conviver com a alergia requer um certo equilíbrio.

Enquanto algumas substâncias podem ser completamente evitadas, outras estão presentes em todos os ambientes. “Você pode passar a vida sem comer camarão e evitar o problema, por exemplo, e isso não afeta a sua qualidade de vida. Mas existem substâncias que estão presentes em todos os ambientes, como os ácaros da poeira e pelos de animais”, explica Tebyriçá. Para esses casos, a indicação é o tratamento com vacinas que aumentam a tolerância do indivíduo a essas substâncias. Ele continua alérgico a elas, mas as reações não são tão severas, o que melhora a sua qualidade de vida.

Alergia e reação alérgica

Embora alergia e reação alérgica estejam intimamente ligadas, o fato de um indivíduo ser alérgico nem sempre indica que ele passou por um processo de reação alérgica – e é a reação alérgica que atrapalha seu estilo de vida. “Alergia é a possibilidade da pessoa desenvolver reações alérgicas. Reação é a manifestação da alergia. Uma pessoa pode ter alergia a pelo de gato mas nunca ter desenvolvido reação alérgica porque não teve contato intenso com a substância”, explica Tebyriçá.

Reações fatais

A intensidade das reações alérgicas varia conforme o indivíduo, o grau de exposição à substância que causa alergia e a via de entrada. “A reação por algo que entra em contato via derme é diferente de algo que entra no organismo via oral ou via injetável”, explica o alergologista.

Um dos maiores perigos de quem convive com alergia é sofrer choque anafilático – causado por um contato intenso com a substância que causa alergia. Pois o choque, se não for tratado imediatamente, pode levar à morte.

Tratamentos para ejaculação precoce

Estima-se que 30% da população masculina mundial sofra de ejaculação precoce, um problema identificado como sendo a dificuldade de controlar a ejaculação o tempo suficiente para desfrutar do ato sexual, ou seja, o homem ejacula antes que gostaria. A ejaculação precoce é a mais frequente disfunção sexual masculina, ocorrendo com maior incidência em adolescentes no início da atividade sexual, fase em que ele está se descobrindo sexualmente e ainda não tem controle sobre seu corpo, tendendo a desaparecer ao longo dos anos.

Não existe um tempo adequado para se medir a ejaculação e classificá-la como precoce ou não. Cientificamente, define-se ejaculação precoce como sendo aquela que ocorre com a mínima estimulação, antes, durante ou logo após a penetração vaginal ou ainda como sendo a incapacidade de retardar e controlar a ejaculação pouco antes ou durante a penetração.

Diagnóstico e possíveis causas

O diagnóstico da ejaculação precoce é feito clinicamente, com uma análise do histórico do paciente. Segundo o urologista Mário Paranhos, da Divisão de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o problema não acontece uma única vez, mas sim acompanha o indivíduo por um longo tempo.

O urologista explica que a ejaculação precoce pode estar presente em todas as ejaculações de uma relação sexual, ou apenas na primeira. “Há casos em que a segunda vez durante a mesma relação a ejaculação é mais demorada”.

São várias as causas que podem ser atribuídas à ejaculação precoce, sendo mais comuns as de fundo psicológico, como insegurança, uma parceira nova, ansiedade, urológicas (disfunção erétil e prostatites) e endócrinas (problemas hormonais).

Tratamento

Existem vários tipos de tratamento para ejaculação precoce, como técnicas que podem ser feitas inclusive com a parceira, como a stop-squeeze, em que a parceira aplica uma pressão manual na glande do pênis até ocorrer redução da vontade de ejacular. Outras maneiras de tratamento são o apoio psicológico, já que muito da doença pode derivar de algum trauma ou ocasião psicológica.

Por fim, há os medicamentos. Os principais são antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina, que aumentam o nível de serotonina no cérebro e isso leva a um consequente retardo na ejaculação. Em contrapartida, esse tipo de medicamento é de uso contínuo e a interrupção no tratamento sem supervisão médica pode levar a uma série de efeitos adversos.

Cerveja e variação genética podem levar a maiores riscos de câncer gástrico

A tradicional cervejinha do happy hour pode não ser tão amistosa quanto parece. Um estudo espanhol, publicado em abril de 2011, revelou que a combinação de consumo de cerveja em excesso e uma variação genética específica pode levar a um risco maior de desenvolver câncer de estômago.

O estudo, realizado pelo Instituto Catalão de Oncologia, na Espanha, foi apresentado na 102ª Reunião Anual da Associação Norte-Americana de Pesquisa do Câncer, em Orlando, na Flórida.

De acordo com o líder da pesquisa, Eric Duell, os resultados apontaram que o risco de desenvolver câncer gástrico também é elevado, ainda que não significativo, para aquelas pessoas que não apresentam a variante genética identificada como rs1230025, porém consumem uma quantidade excessiva de cerveja e para aqueles não-bebedores, mas que possuem as variações rs1230025 ou rs283411.

“Ter esses dois fatores de risco – consumo elevado de cerveja e a variante genética rs1230025 – parece ser pior em termos de risco de câncer gástrico do que ter apenas um ou nenhum”, afirma o pesquisador

Aparentemente inocente

Embora comparativamente a cerveja tenha menor teor alcoólico que uma dose de uísque ou taça de vinho – 5% da cerveja contra 40% do uísque e 12% do vinho, a dosagem consumida dessa bebida é bem maior que a das outras. “A cerveja é teoricamente inocente”, afirma o clínico geral do hospital Sírio Libanes, Alfredo Salim Helito. “Enquanto você consome uma dose de 140ml de vinho que tem 14% de álcool, uma lata de cerveja tem 355ml. E raramente as pessoas tomam apenas uma latinha”.

O médico alerta ainda para os outros perigos da cerveja: “é um alimento altamente calórico, o que favorece a obesidade e a formação da gordura abdominal, que é uma gordura perigosa para o organismo, em especial para o sistema circulatório. Além de câncer no estômago, a cerveja e o álcool também podem contribuir para o aparecimento de câncer no fígado e no esôfago”, complementa Salim Helito.

Pesquisa na prática

A pesquisa analisou pessoas com idades entre 35 e 70 anos, durante os anos de 1992 a 1998. Observou-se o tipo de álcool consumido (cerveja, vinho ou outro tipo de álcool) e sua relação com o câncer gástrico. Os cientistas concluíram que aqueles que bebiam mais de 60g de álcool proveniente de cerveja por dia tinham um risco 65% maior de desenvolver o tumor que as pessoas que consumiam até 5g de álcool por dia. Para se ter uma idéia, uma lata de cerveja tem, em média, 14g de álcool.

Quando analisada, a cerveja demonstrou ser potencialmente mais nociva à saúde do que as demais bebidas alcoólicas, pois tem maior risco de ocasionar câncer. “Quem é bebedor crônico de cerveja e ainda ​​possui o rs1230025 corre um risco 700 vezes maior de desenvolver câncer de estômago em comparação com as pessoas sem a variação do gene que consomem menos de um drinque por dia”, enfatizou o pesquisador Eric Duell.

O câncer de estômago é uma enfermidade que atinge em sua maioria homens, na faixa etária de 70 anos. No Brasil, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tumor do estômago aparece em terceiro lugar na incidência entre homens e em quinto, entre as mulheres.

Já nos Estados Unidos, apenas em 2010, o câncer de estômago causou 10.570 mortes, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer.

A relação entre câncer e o consumo excessivo de álcool já vem sendo estudada há muito tempo, inclusive no Brasil, através de estudos de caso-controle.